Banco Mundial publica nota sobre impactos da COVID-19 sobre pessoas com deficiência no Brasil

O Banco Mundial publicou uma nota sobre o impacto da COVID-19 em famílias com membros que são pessoas com deficiência no Brasil. O estudo, feito com dados de uma recente pesquisa por telefone realizada na América Latina, revelou que essas famílias foram afetadas desproporcionalmente pela crise em diversos aspectos, como renda, segurança alimentar, saúde e oportunidades de trabalho.

De acordo com a pesquisa, cerca da metade das famílias com membros com deficiência ainda não recuperou sua renda pré-pandemia no Brasil. Mais de 50% das famílias com membros com deficiência não são capazes de cobrir suas necessidades básicas. A parcela correspondente entre as famílias sem um membro com deficiência é inferior a 40%.

Famílias com pessoas com deficiências amostram níveis maiores de insegurança alimentar que o resto das famílias. Cerca de 10% das famílias ficaram sem alimentos devido à falta de dinheiro antes da pandemia. Em agosto/setembro de 2021, uma proporção maior de famílias relatou este aspecto da insegurança alimentar. A deterioração foi mais pronunciada entre os domicílios com um membro com deficiência (26,4%) do que em outros domicílios (17,5%). Além disso, em todos os aspectos que a pesquisa considerou sobre a insegurança alimentar, as famílias com um membro com deficiência tiveram um desempenho pior.

Ao mesmo tempo, as oportunidades de trabalhar parecem mais limitadas para famílias com pessoas com deficiência devido ao aumento do trabalho doméstico. Nessas famílias, cerca de 46% relataram passar mais tempo fazendo tarefas domésticas do que no período anterior à pandemia. Enquanto isso, cerca de 52% deste grupo relatou um aumento da quantidade de trabalho cuidando de pessoas com deficiência. As taxas comparáveis ​​entre famílias sem um membro com deficiência são de 33% e 28%.

A saúde é outro aspecto importante em que as famílias com pessoas com deficiência parecem estar em pior situação. Durante o mês de referência da pesquisa, mais da metade (55%) dos domicílios com um membro que é uma pessoa com deficiência precisava de acesso aos serviços de saúde e quase 1 em cada 10 deles não conseguia acessar o serviço de que necessitavam. Essas taxas foram de 35% e 3% entre as famílias sem membros com deficiência. Os problemas de saúde mental também são mais prevalentes entre as famílias com uma pessoa com deficiência. A percentagem de relatórios de conflitos com outras pessoas, atitudes agressivas com os membros da família e ansiedade geral é maior entre os inquiridos que residem em lares com uma pessoa com deficiência.

Os dados são parte de uma recente pesquisa por telefone realizada pelo Banco Mundial na América Latina e sugerem que em 5,4% das famílias há pelo menos uma pessoa com deficiência. No Brasil, uma pesquisa recente por telefone indicou que 7,3% dos domicílios tinham pelo menos um membro com deficiência. Isso inclui domicílios com membros que têm muita dificuldade, o seja expressando um quadro de deficiência mais complexo (4% dos domicílios) em qualquer um dos domínios solicitados (visão, audição, mobilidade, autocuidado) ou que não são capazes de realizá-los (3,3%). Cerca de 9% têm um membro que experimenta alguma dificuldade em algum dos domínios solicitados.

As evidências trazidas na nota reforçam que a presença de pessoas com deficiência está altamente correlacionada com a situação de pobreza de uma família e com os baixos níveis de acumulação de capital humano. Um relatório recente do Banco Mundial destaca a exclusão multifacetada  enfrentada por pessoas com deficiência no Brasil e na região da América Latina e do Caribe. A nota do Banco Mundial fornece algumas evidências sobre o agravamento de sua situação.

O Banco Mundial recomenda que as políticas de proteção social continuem a enfocar fortemente os mais necessitados entre as populações vulneráveis. Ao priorizar o apoio a esses grupos, o governo pode ter como objetivo uma recuperação mais inclusiva.

Sobre a pesquisa – A Pesquisa Telefônica COVID-19 do Brasil faz parte do Projeto de Pesquisa Telefônica de Alta Frequência (LAC HFPS) ​​do Banco Mundial – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD( América Latina e Caribe. O projeto LAC HFPS 2021 está conduzindo pesquisas em mais de 20 países da região. A pesquisa coleta informações sobre uma ampla gama de tópicos, incluindo mercado de trabalho, acesso a serviços de saúde e educação, digital e finanças e questões relacionadas a gênero. No Brasil, a pesquisa foram coletados entre 26 de julho e 01 de outubro  de 2021, resultando em um total de 2.166 entrevistas completas. A pesquisa é nacionalmente representativa da população com mais de 18 anos que possui um telefone.

Fonte: ONU

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