Há mais de 100 dias sem ver a filha, mãe implora para pai devolver criança de 8 anos que não voltou das férias de julho

O paradeiro da menina é ocultado pelo pai, que mora em Bauru (SP). Dois mandados de busca e apreensão já foram expedidos pela Justiça de Mato Grosso.

Por:  Kethlyn Moraes, G1 MT

Há mais de 100 dias sem ver a filha, a enfermeira cuiabana Marina Pedroso Ardevino, de 34 anos, implora para o pai devolver a criança de 8 anos, Isadora, que não voltou das férias de julho.

“São 100 dias que eu não escuto a voz da minha filha. O que estão fazendo comigo é desumano”, diz.

O paradeiro da menina é ocultado pelo pai, o advogado João Vitor Almeida Praeiro Alves, que mora em Bauru, no interior de São Paulo. Dois mandados de busca e apreensão já foram expedidos pela Justiça de Mato Grosso.

Por meio de nota, João Vitor disse que, em virtude do segredo de justiça que tutela os processos que envolvem crianças e adolescentes, prefere não se manifestar neste momento. (Leia a nota na íntegra no final desta reportagem)

Isadora Praeiro, de 8 anos, já é considerada desaparecida — Foto: Arquivo pessoal

Isadora Praeiro, de 8 anos, já é considerada desaparecida — Foto: Arquivo pessoal

A mãe relata que a cada dia sem notícias da filha, sem qualquer informação sobre a integridade física da menor, a dor e a ansiedade aumentam.

 

Marina conta que o filho mais novo, de 4 anos, pede para falar com a irmã todas as noites, antes de dormir. Isadora foi passar o recesso escolar com o pai em Bauru (SP), porém, João Vitor não a devolveu na data acordada, 18 de julho.

Marina conta que o irmão mais novo de Isadora pede todos os dias para falar com ela — Foto: Arquivo pessoal

Marina conta que o irmão mais novo de Isadora pede todos os dias para falar com ela — Foto: Arquivo pessoal

A família diz que o pai contaria com o apoio da mãe e da avó dele para ocultar a menina. A avó foi vista em um hotel com a bisneta em 26 de setembro, na cidade de Ourinhos (SP).

“A minha filha não está com o pai e não está com a avó paterna. Então, ela está com quem? Foi aberto um inquérito em Bauru, foram feitas as oitivas do João Vitor e da Lilian e em momento algum a delegada pediu para ver a minha filha. Ela chegou a desacatar a polícia e nada! É revoltante tudo isto que estou passando”.

Mãe implora para pai devolver criança de 8 anos que não voltou das férias de julho — Foto: Arquivo pessoal

Mãe implora para pai devolver criança de 8 anos que não voltou das férias de julho — Foto: Arquivo pessoal

O ex-marido chegou a mover um processo contra Marina e em dois episódios anteriores, a mãe da menina precisou se valer de pedidos judiciais para que a criança fosse devolvida.

“Nunca toquei um dedo na minha filha. Isadora é amada, cuidada. Sou uma mãe dedicada, faço tudo pelos meus filhos. Ele entrou com um processo contra mim em 2016, dizendo que ela sofria maus-tratos, mas fez isso porque eu precisei entrar com medida protetiva contra ele antes. Ele quis entrar em um acordo comigo depois que ele entrou com o processo. Que pai faria isso se existisse algo de errado com a filha?”.

Criança foi vista pela última vez com a avó e com a bisavó em um hotel em Ourinhos (SP) — Foto: Reprodução

Criança foi vista pela última vez com a avó e com a bisavó em um hotel em Ourinhos (SP) — Foto: Reprodução

 

A enfermeira afirma que sofre perseguições por parte de João Vitor e da mãe dele desde quando a menina era recém-nascida e precisou entrar com medida protetiva porque sofria violência psicológica.

“Ele colocava o dedo na minha cara e falava: Se alguém pegar a minha filha no colo, você vai ver, vou fazer o maior barraco. Nada vai acontecer comigo, porque sou filho de defensor público”. João Vitor foi criado pelo padrasto, o defensor público de Mato Grosso Air Praeiro.

Há mais de 100 dias sem ver a filha, mãe implora para pai devolver criança de 8 anos que não voltou das férias de julho — Foto: Arquivo pessoal

Há mais de 100 dias sem ver a filha, mãe implora para pai devolver criança de 8 anos que não voltou das férias de julho — Foto: Arquivo pessoal

Há pelo um mês não há registros de acesso de Isadora a aulas online. Ela está em fase de alfabetização, na 1ª série do Ensino Fundamental, e antes frequentava aulas em regime presencial, em Cuiabá.

Quando em férias, a criança acabava por ficar com a avó no interior de São Paulo, e não no convívio da casa do pai, que se casou e tem outra filha.

Escola disse à mãe que a menina não participa das atividades desde agosto deste ano  — Foto: Reprodução/TV

Escola disse à mãe que a menina não participa das atividades desde agosto deste ano — Foto: Reprodução/TV

 

Para resgatar Isadora, a mãe entrou com um processo na 5ª Vara Especializada de Família e Sucessões da Comarca de Cuiabá. Isadora já está oficialmente inclusa no Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos.

“Tudo o que estou falando, consigo provar. A minha filha não está indo à escola, ela não está entregando as atividades. Minha filha está com quem? Eu quero Justiça e vou atrás de tudo para conseguir a minha filha de volta”.

Uma audiência está marcada para o dia 8 de novembro, com a presença da criança e do pai, em Cuiabá. Em paralelo, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) foi acionada pela defesa de Marina, para que apure conduta e atos de João Vitor.

LEIA A NOTA DE JOÃO VITOR PRAEIRO NA ÍNTEGRA:

 

“Em virtude do segredo de justiça que tutela os processos que envolvem crianças e adolescentes, objetivando respeitar e resguardar integridade psicológica, moral e física, evitando expor sua intimidade, preferimos não nos manifestar neste momento.

Acreditamos, sobretudo, que o Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso, tem competência legal para decidir o que for de melhor interesse para a menor.

Por todo o exposto agradecemos o trabalho da imprensa e a disponibilidade para o contraditório, no que pedimos sensibilidade neste momento processual, onde todas as partes terão oportunidade de produzir suas provas.”

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