Pais fazem convocação para carreata pela reabertura das escolas em BH

Manifestantes pretende reunir mais de 120 carros no dia 16 de janeiro e ir até a casa do prefeito Alexandre Kalil e na prefeitura para pedir a reabertura das escolas

Por FELIPE CASTANHEIRA

Pais estão se organizando pela internet e convidando pessoas em grupos de WhatsApp para uma carreata que reivindica a retomada das aulas presenciais nas escolas de Belo Horizonte. Na capital, o ato está  programado para a manhã do dia 16 de janeiro, na praça do Papa, no bairro Mangabeiras, na Região Centro-Sul da cidade. Os mobilizadores do ato pretendem que a carreata passe pela casa do prefeito Alexandre Kalil e siga até a prefeitura. A expectativa é reunir mais de 120 carros durante o percurso.

Sheila Freire, 37 é gerente comercial e tem uma filha de 6 anos, ela é uma das organizadoras do protesto. Sheila argumenta que este é um movimento nacional, que será realizado no mesmo dia em várias cidades do país. “Acreditamos que mais do que aprender português ou matemática, as crianças precisam do convívio escolar, uma vivencia presencial, que é uma parte muito importante da educação”, descreve.

Segundo ela existe uma compreensão de que cada cidade passa por uma situação diferente, mas que a reabertura deve acontecer com urgência. “O que a gente aprendeu ao longo destes meses é que a escola é um lugar seguro. Pode ser que não seja agora, mas quando for a hora a escola deve ser uma prioridade”, alega.

A advogada Roberta Nazaré da Silva, 37, é contra o retorno das aulas. Mãe de uma criança de 4 anos, ela acredita que dificilmente as regras de segurança seriam seguidas. “Por mais que exista a vigilância das professoras, as crianças mais novas gostam muito de afeto, de compartilhar as coisas e trocam brinquedos e materiais o tempo todo”, descreve. Ela também destaca o momento vivido na cidade, com um aumento no número de casos de covid. “Enquanto eu puder deixar minha filha em casa eu vou deixar, não quero colocar ela em risco”.
Dona de uma escola de educação infantil no bairro milionários, Simone Patrícia de Araújo Alves, 43, defende a reabertura. “As escolas são o único ramo do comércio que não pode reabrir. Já observamos o protocolo da prefeitura e estamos prontos para reabrir. Ela conta que perdeu 80% dos alunos e que das 11 professoras da escola apenas quatro continuam contratadas. “Se não reabrir até fevereiro vou ser obrigada a fechar de vez”, alega.

A presidente do  Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais afirma que pedir pela reabertura das escolas neste momento é um ato de extrema irresponsabilidade. “Todos nós entendemos que as crianças estão sofrendo, mas a volta às aulas de forma presencial só pode acontecer quando tiver segurança. O movimento que hoje precisa ser feito em todo o Brasil é exigido por vacinação para todos”, defende.

O epidemiologista Unaí Tupinambás, que compõe o comitê de enfrentamento ao coronavírus da prefeitura de Belo Horizonte, também é contra a reabertura das escolas neste momento. “Estamos com um copo à beira de transbordar, mas, por mais que se acredite que as crianças são vetores mais brandos e que ficam menos doentes, não podemos ter mais casos agora. Qualquer nova contaminação pode fazer esse copo transbordar”, descreve.

Unaí explica que foi discutido um parâmetro para a reabertura das escolas que estipula 20 novos registros de contaminação por dia para um grupo de 100 mil pessoas, como uma faixa de segurança. No momento são mais de 150 novas contaminações para 100 mil pessoas. “Vemos também muitas das pessoas que foram irresponsáveis nos últimos meses e agora pedem a reabertura das escolas, quando foram as atitudes deles que levaram a essa situação. Reabrir as escolas é muito importante, mas precisa de haver segurança”.

A prefeitura de Belo Horizonte afirmou que já se manifestou favoravelmente à construção de alternativas para retorno às aulas, mas a alta circulação do vírus no momento e a grande ocupação de leitos não permite avançar no processo de flexibilização.

Fonte: Otempo

Share this:

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.