Funcionária de flat diz que modelo que acusa Irajá de estupro perguntou onde estava

Por: Poder360

Em depoimento à Polícia Civil de São Paulo, uma funcionária da recepção do hotel onde o senador Irajá Abreu (PSD-TO)  estava hospedado no dia em que ocorreu o episódio do qual é acusado por modelo de estupro, disse que a mulher de 22 anos questionou quando chegou ao local sobre onde estava. O caso ocorreu em 22 de novembro.

Segundo a funcionária, a modelo hesitou antes de entrar no elevador e perguntou ao senador: “Onde é que estou?”. Ela disse que o congressista respondeu: “Você está no meu prédio”. Segundo ela, a mulher voltou a perguntar onde estava e, naquele momento, o senador deu a ela o endereço do flat.

As informações foram divulgadas pelo Jornal Nacional, da TV Globo, que teve acesso ao relato do depoimento.

À polícia, a funcionária disse também que chegou a chamar 1 segurança do local, ao pensar que talvez precisaria ajudar a mulher, acreditando que ela não iria querer entrar no elevador e subir até o quarto do senador. Segundo ela, quando o segurança chegou, ela relatou a ele que havia estranhado que a mulher não queria entrar no elevador e perguntou duas vezes onde estava.

O segurança do hotel também prestou depoimento à polícia. Ele disse que, cerca de 5 minutos depois de ser chamado, subiu ao andar do senador e não ouviu nada que chamasse a atenção, mas percebeu que a porta estava entreaberta e voltou à recepção. A modelo disse ainda que depois disso foi ao banheiro, mandou mensagens para amigos pedindo ajuda e que eles acionaram a polícia.

No boletim de ocorrência, a jovem afirma que foi dopada e acordou em 1 flat no bairro Itaim Bibi, área nobre da capital paulista, sendo abusada pelo senador. A modelo pediu para não ter o nome divulgado.

A reportagem do Poder360 teve acesso aos termos da queixa prestada pela modelo. No boletim de ocorrência, a mulher diz que não manteve com o senador nenhuma conversa “de cunho sexual” e relata ter atravessado 1 período de “amnésia” na boate. “[A modelo] afirma ter tipo 1 apagão (1 período de amnésia), não se recordando, nem mesmo por flash do que aconteceu; até que começou a recobrar a consciência, já com o investigado em cima de si“, diz trecho do documento.

O senador Irajá também prestou depoimento, segundo o Jornal Nacional, ele disse que conheceu a modelo num almoço num restaurante, em 22 de novembro, e que a conversa evoluiu para uma paquera. Depois do almoço, segundo o senador, a modelo o convidou para uma festa na casa de uma amiga, onde e beijaram e trocaram carícias recíprocas.

O congressista disse à polícia que, por volta das 20h, foram para a casa noturna. Segundo o depoimento dele, na balada, eles instigaram 1 ao outro sexualmente e foram a pé para o flat. O senador Irajá confirmou que os 2 tinham bebido, mas disse que nenhum dos 2 estava inconsciente.

Ainda segundo o senador, eles mantiveram relações sexuais de forma consensual. E em nenhum momento a modelo demonstrou resistência ou falou que queria ir embora. O senador afirma que, depois disso, ela demorou no banheiro até que ele recebeu mensagem de uma amiga dela dizendo que a jovem estava pedindo ajuda. E que, ao sair do banheiro, a modelo tentou agredi-lo.

O exame de corpo de delito do senador deu negativo, o que para a defesa demonstra que não houve luta corporal entre eles. Em nota, o advogado do senador disse que todas as imagens requisitadas, de todos os locais em que estiveram naquela data, revelam justamente o contrário do que afirmou a modelo. Ou seja, segundo o advogado, as imagens mostra que eles chegaram de mãos dadas, caminhando tranquilamente e, mais que isso, mostraram que ela manuseara seu celular, conduta incompatível com alguém que estaria alegadamente sem a capacidade e discernimento de seus atos.

POLÍCIA ANALISA IMAGENS DO LOCAL

A Polícia Civil de São Paulo analisa imagens de 4 câmeras de segurança anexadas ao inquérito que investiga a denúncia de estupro da modelo. Também aguarda a chegada do exame toxicológico, que vai indicar se os 2 consumiram álcool ou drogas. Além disso, vai analisar as mensagens do celular da modelo, em busca de pistas que ajudem a esclarecer o que aconteceu dentro do flat, informou o jornal.

Para o advogado do congressista, as imagens deixam claro que ela não estava inconsciente como ela disse à polícia quando chegou ao flat onde afirma ter sido estuprada. Já o advogado da modelo reiterou que ela foi vítima de crime sexual.

Poder360 teve acesso a 5 vídeos da noite em que o senador Irajá Abreu (PSD-TO) conheceu a modelo. Os vídeos mostram o congressista e a modelo entrando em uma boate de São Paulo. Em seguida as imagens mostram os 2 saindo e chegando ao prédio onde Irajá estava hospedado. Há momentos em que aparecem de mãos dadas.

No 1º vídeo, Irajá e a modelo chegam juntos à casa noturna Café de la Musique. O senador estende a mão para a mulher que a segura para passarem por pessoas até chegarem à entrada do estabelecimento. Assista (1min4s):

No 2º, eles aparecem saindo de uma boate. O senador entrega algo para uma funcionária do local enquanto a modelo tem uma pulseira de identificação retirada do pulso. Em seguida, ele coloca a mão sobre o ombro da mulher e caminham para a saída. Veja o momento (36s):

No 3º vídeo, os 2 saem pela calçada do estabelecimento. O senador está com o braço ao redor do ombro da modelo enquanto eles caminham de mãos dadas.

O 4º vídeo mostra o momento em que eles chegam ao prédio em que Irajá estava hospedado. Os 2 chegam de mãos dadas, com o senador segurando 1 copo na mão.

O congressista conversa com a recepcionista, pega a chave do apartamento e vai ao elevador com a modelo. Na porta do elevador, param por 40 segundos. É possível identificar na imagem que a modelo está escrevendo no seu celular. Ele segura a porta enquanto ela termina de digitar.

Na última gravação, é possível ver o tempo que ficam parados na porta do elevador, até entrarem de fato, pelo ângulo invertido. Irajá e a mulher trocam algumas palavras dentro do elevador. Ela mexe no celular e depois guarda o aparelho na bolsa. O elevador chega no andar e eles saem.

Assista (1min24s):

O QUE DIZ O ACUSADO

O advogado de defesa de Irajá Abreu, Daniel Bialski, afirma que as imagens das câmaras de segurança “revelam” o contrário da acusação.

“Todas as imagens de CFTV requisitadas, de todos os locais em que estiveram naquela data, revelam justamente o contrário [do que fala a modelo], ou seja, de que eles chegaram de mãos dadas, caminhando tranquilamente, e, mais que isso, mostrando que ela manuseara seu celular, conduta incompatível com alguém que estaria alegadamente sem a capacidade e  discernimento de seus atos”.

Em nota enviada ao Poder360 na 2ª feira (23.nov.2020), o senador Irajá nega que tenha cometido o crime.

“Ressalto que compareci espontaneamente à delegacia responsável pela apuração dos fatos e pedi para ser submetido, voluntariamente, a exame de corpo de delito e toxicológico, tudo para desmistificar o quanto aleivosamente alegado”, diz o texto.

Irajá, de 37 anos, diz que é “inimaginável” ser acusado de 1 crime como estupro. “Sempre pautei minha vida profissional, pública e pessoal pela ética, respeito e retidão, sendo inimaginável ser acusado de algo dessa natureza”, declara o político.

Leia a íntegra da manifestação de Irajá:

“Nota à imprensa

Foi com surpresa, decepção, tristeza e indignação que tomei conhecimento do episódio infame, maldoso e traiçoeiro envolvendo a minha vida e minha dignidade.

Eu sempre pautei minha vida profissional, pública e pessoal pela ética, respeito e retidão, sendo inimaginável ser acusado de algo dessa natureza.

O fato é que, como principal interessado na revelação ampla e total de toda essa farsa, solicitei que meu advogado, Daniel Bialski, reforçasse às autoridades responsáveis pela investigação do caso que requisitassem a realização de exame de corpo delito na acusadora para comprovar a verdade.

Ressalto que compareci espontaneamente à delegacia responsável pela apuração dos fatos e pedi para ser submetido, voluntariamente, a exame de corpo de delito e toxicológico, tudo para desmistificar o quanto aleivosamente alegado.

As filmagens, demais provas e testemunhas hão de repor a verdade no seu devido lugar e vir a declarar minha total e plena inocência.

Confio na polícia e na Justiça e sei que ficará provado que jamais houve nada que possa tangenciar qualquer comportamento inapropriado de minha parte.

Lamento muito ter sido envolvido nesse enredo calunioso e difamatório que busca manchar o meu nome em função da visibilidade momentânea da função que ocupo.

Reitero que aguardarei a conclusão das investigações antes de fazer qualquer nova manifestação. Não pretendo ser atirado para essa arena sórdida. A verdade aparecerá e eu a aguardarei com serenidade.

Declaro e reitero que não cometi ilícito algum e estou à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessários

Senador Irajá”

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