A chegada de Jorge Jesus ao Benfica apimentou ainda mais o ambiente político do clube em um ano eleitoral. Rui Gomes da Silva, adversário do atual mandatário, Luís Filipe Vieira, detonou a volta do treinador, praticamente o chamando de oportunista, e o investimento em um momento que a agremiação “corta da própria carne” para se adaptar ao impacto da COVID-19.

Jesus anunciou a despedida do Flamengo na última sexta-feira, com 11 meses de contrato para cumprir. A operação total deve custar aos cofres benfiquistas cerca de R$ 67 milhões, levando-se em conta apenas o custo com o treinador.

Foi acertado que o Benfica pagará a multa rescisória de um milhão de euros (R$ 6,1 milhões), além de devolver ao Flamengo um milhão de euros que o português tinha recebido como adiantamento ao renovar o contrato.

O vínculo dele com o Benfica terá três anos de duração, com salário de 3 milhões de euros por temporada (9 milhões de euros no total; o que significa R$ 55 milhões).

Mas Silva cita um gasto bem maior. Fala em 26 milhões de euros (R$ 160 milhões) por toda a operação, incluindo “para treinador e tudo o resto que nos chega do Flamengo … sem contar com o médico (que não quer vir, ao que parece)!”.

Gabigo

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Em publicação em seu Instagram, depois da confirmação do técnico no Benfica, o artilheiro do Flamengo agradeceu ao “Mister”, a quem chamou de “pai” e “melhor do maior clube do Brasil”.

“O mais importante nem será o valor pago nesta altura de incertezas em que vivemos, nem o tempo de contrato, nem as exigências satisfeitas. O que importa sublinhar são todas as sucessivas contradições bem reveladoras do caráter de quem obrigou o Benfica neste contrato!”, escreveu Silva, em um artigo de opinião no ‘Novo Blog Geração Benfica’, nesta segunda-feira (20).

“Contrariando declarações sobre ‘o projeto’ que foram argumento chave para as razões da saída [de Jesus] há cinco anos, despedindo insubstituíveis até há poucas horas, veio provar que a palavra é volátil e os princípios – pela Luz (seja de fato) ou pelo Seixal (seja em fato de treino) – não existem! Ou melhor, existe apenas um: o de sobreviver e tentar usar o Benfica como boia de salvação”.

Jesus treinou o Benfica de 2009 até 2015, faturando dez títulos. Mas a saída não foi nada amigável. Recusou uma oferta alta de renovação, trocando o clube da Luz imediatamente pelo arquirrival Sporting.

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Na época, Vieira, que já estava na cadeira da presidência, lamentou o que chamou de “falta de gratidão”. Ainda afirmou que o Benfica buscaria um técnico ambicioso e comprometido com o clube, sem se surpreender com o gesto de Jesus.

A situação foi tão tensa que a diretoria impediu Jesus de voltar ao centro de treinamento para que ele se despedisse dos funcionários e ainda o processou, cobrando 14 milhões de euros por considerar que ele assinou com o Sporting ainda sob contrato.

Em 2018, Jesus e Vieira entraram em um acordo, fazendo com que o processo fosse retirado da Justiça. A atitude foi condenada por sócios como Rui Gomes da Silva, que retomou o debate agora, perto da eleição.

“O Benfica que queremos […] é um Benfica de palavra, de estratégia clara que não mude com as circunstâncias ou com o vento, ou seja, à Benfica!”, escreveu.

“Todos sabem que Jorge Jesus não seria o treinador que eu escolheria para o Benfica”, continuou.

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“Não estarão, sequer, em causa as suas qualidades técnico-táticas (apesar de não se poder esquecer que na sua primeira passagem pelo clube nem tudo foi perfeito), mas sim a forma como tratou e se referiu a ‘nós’, quando aceitou fazer parte (e não apenas como treinador) de uma estratégia anti-Benfica, comandada pelo então presidente do seu clube do coração”, prosseguiu.

“Há, por certo (pelos valores que vamos pagar), tão bons ou melhores treinadores no mundo, embora reconheça muito poucos com esse perfil, face às limitações de quem escolhe.”

Silva ainda disparou contra os gastos na “operação Jesus”, citando inclusive um avião fretado pelo presidente para o Brasil enquanto o clube faz cortes de modalidades e dispensa atletas para conseguir controlar as finanças.

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Veja o artigo completo de Silva

O Sport Lisboa e Benfica anunciou o regresso de Jorge Jesus, pela mão de quem considerava isso impossível, enquanto fosse Presidente!

O mais importante nem será o valor pago nesta altura das incertezas em que vivemos, nem o tempo de contrato, nem as exigências satisfeitas!

O que importa sublinhar são todas as sucessivas contradições bem reveladoras do caráter de quem obrigou o Benfica neste contrato!

Contrariando declarações sobre “o projeto” que foram argumento chave para as razões da saída há 5 anos, despedindo insubstituíveis até há poucas horas, veio provar que a palavra é volátil e os princípios – pela Luz (seja de fato) ou pelo Seixal (seja em fato de treino) – não existem!

Ou melhor, existe apenas um: o de sobreviver e tentar usar o Benfica como bóia de salvação.

O Benfica não pode ser instrumento de ninguém nem para enriquecer nem para sobreviver!

Este é claramente um ato desesperado de quem enceta uma fuga para a frente, afinal, de quem precisa do Benfica.

Alguém que desde que se iniciou a famosa parceria estratégica com um empresário, mudou radicalmente a sua atitude perante o Benfica.

Alguém que, desde então, se habituou a servir-se do Benfica em vez de servir o Benfica, de quem usa o Benfica como escudo protector em vez beneficiar o Benfica com o seu trabalho… no fundo de quem não sente o Benfica na alma nem os ataques ao Benfica como ataques a todos nós.

Na minha opinião, este é um ato de quem põe os seus interesses à frente dos do Benfica julgando, com isso, criar dificuldades intransponíveis para que os sócios do Benfica não votem em liberdade e de acordo com a sua consciência.

O BENFICA DE PALAVRA DE AMANHÃ

O Benfica que queremos – a partir de Outubro ou de quando forem as eleições – é um Benfica de palavra, de estratégia clara que não mude com as circunstâncias ou com o vento, ou seja, à Benfica!

Feito de gente séria, disponível para servir o Benfica!

De gente de palavra, que não precisa do Benfica!

Porque foi assim que o Benfica se fez tão grande!

UM BENFICA SEM MEMÓRIA

Todos sabem que Jorge Jesus não seria o treinador que eu escolheria para o Benfica.

Não estarão, sequer, em causa as suas qualidades técnico-táticas (apesar de não se poder esquecer que na sua primeira passagem pelo clube nem tudo foi perfeito), mas sim a forma como tratou e se referiu a “nós”, quando aceitou fazer parte (e não apenas como treinador) de uma estratégia anti-Benfica, comandada pelo então presidente do seu clube do coração.

Há, por certo (pelos valores que vamos pagar), tão bons ou melhores treinadores no mundo, embora reconheça muito poucos com esse perfil, face às limitações de quem escolhe.

Uma atitude bem reveladora do desespero em que se encontra o Presidente do Benfica, ao escolher, com tanto treinador pelo Mundo, exatamente aquele que nos atacou e que foi atacado – inclusive com um processo de 14 milhões de euros – como sendo o único capaz de orientar a nossa equipa!

No dia em que for presidente, como acredito que serei, quem estiver no banco da equipa de futebol será parte da solução de vitórias para o Benfica, se partilhar das nossas ambições e projectos que levaremos para o Benfica.

40 MILHÕES E UMA MEMÓRIA CURTA … PARA SALVAR UM PRESIDENTE

O desespero de Vieira custa 40 milhões de euros … fora o resto!

14 milhões de um processo que desistiu sem nunca se entender porquê e agora 26 milhões para treinador e tudo o resto que nos chega do Flamengo … sem contar com o médico (que não quer vir, ao que parece)!

Eis a prova de como a memória é curta … curtíssima, mesmo, no futebol!

UM FUTURO COM CARÁCTER, FIEL AOS SÓCIOS

Por tudo isso … haverá um desafio adicional ao de recuperar a grandeza do Benfica em termos europeus!

O de reconstruir o Benfica , regressando aos valores fundadores.

Um Benfica de carácter, de gente de uma só cara, de palavra de honra, um Benfica de pessoas de bem!

Um Benfica que não envergonhe a memória de Cosme Damião!

Enquanto Presidente em nome de um projeto – como espero vir a ser, com o voto dos sócios, a partir das próximas eleições – posso apenas garantir que nenhum valor financeiro me impedirá de defender os interesses do Benfica!

Porque é aos sócios e ao Benfica, aos valores que o fizeram tão grande e não a quaisquer outros interesses, é que serei leal!

Lutando pelo melhor para o Benfica, porque o nosso clube merece (muito) melhor!!!

Uma nota final:

O avião que está na foto é um avião privado, pago pelo Benfica, para o ainda presidente ir ao Brasil buscar o treinador.

Isto enquanto se cortam despesas nas modalidades e se dispensam jogadores que ainda tinham muito a dar ao Benfica.

Os sócios que, com sacrifício, pagaram quotas e cativos não percebem esta atitude de milionário ou “novo-riquismo” de Luis Filipe Vieira… logo ele.

Nem eu entendo… Talvez Vieira entenda em Outubro, quando os sócios lhe explicarem nas urnas.

Fonte: ESPN